Os Filhos da Escola

Unidos não apenas por uma pulseira, mas também pela grande amizade, este grupo de professores resolveu aqui dar a conhecer as várias peripécias que vivem numa sala de aula...

24 novembro 2006

Um dia em Santarém

Sábado, 18 de Novembro, 2006

Ao fim de 75 dias nesta cidade, começo finalmente a habituar-me a ela e, talvez, a gostar de estar aqui. Penso que começo a sentir isto como o meu cantinho. Finalmente! Na verdade, começava a ficar assustada porque me sentia aqui muito isolada e no lugar errado, sem nada a aprender e a ensinar aqui.
Por isso, hoje, ao acordar, senti finalmente vontade de meditar. Peguei as meditações que o Ricas me trouxe - há quase um mês e que eu ainda não ouvira - e fiz a meditação da manhã. Foi uma meditação diferente, própria para acordar e agradecer por tudo o que existe à nossa volta. Deixou-me bem disposta e com vontade de agradecer a todos os que amo por existirem à minha volta.
Assim, mal me levantei, e depois de tomar o pequeno-almoço, enviei mensagens a todos os meus amigos e pessoas importantes da minha vida a dizer o quanto os amo. Senti-me muito bem! Decidi que era um dia bom para passear!
Ainda pela manhã corrigi alguns testes dos meus alunos, almocei e pus-me a planear o dia, mas não rigidamente.
Pensei em tomar café no Convento e seguir para a Igreja de Santa Cruz. Assim fiz! Não sem antes, pelo caminho, telefonar finalmente ao Licínio e perguntar por ele. Não falava com ele desde domingo e começava a sentir muitas saudades. Gostei de o ouvir. Estava com uma voz bem disposta e agradável. Aliás, é quase sempre assim quando não estou com ele. O pior é quando estamos juntos. Mas enfim, não é hora para pensar assim.
Ah, é verdade! A Cláudia ficou preocupada com a minha mensagem e respondeu-me. Amiga, ela, mas eu sosseguei-a. Estava mesmo tudo bem comigo! A Yolanda também me respondeu com palavras que só ela sabe usar. Eu tenho muita sorte com os meus amigos!
Cheguei ao Convento, tomei um café enquanto via uma revista sobre Quintas e Pousadas de Portugal. O ambiente estava agradável e sossegado. Pensei então em seguir para a Igreja de Santa Cruz, mas no início do caminho deu para ver que estava fechada. Voltei para trás e pensei “E agora?”. Lembrei-me de passar pelas outras igrejas e ver se alguma estava aberta. Era o que eu pensava fazer amanhã.
Passei pela Igreja junto à Torre das Cabaças e entrei. É agora um Núcleo Museológico e tive de pagar dois euros para entrar. OK, tudo bem, paguei e entrei. A exposição era sobre Santarém e o Magreb. Era interessante, mas fiquei um pouco desiludida porque queria mesmo ver a Igreja e os painéis tapavam grande parte das paredes e altares. No entanto, o túmulo de D. Duarte de Meneses estava à vista. É muito bonito. De qualquer modo valeu a pena. Deu para ver alguns painéis de azulejos que estavam nas paredes. Não podia fotografar.
Quando saí, dirigi-me para as Portas dos Sol. Queria visitar a Igreja da Alcáçova, mas estava fechada. Fui ver a Muralha, tem-se dali uma vista lindíssima sobre Almeirim e o rio.
Segui depois pelas ruas do centro da cidade, sem um destino fixado, mas pensando na pastelaria Doce Pecado! Já me crescia água na boca!!
Pelo caminho descobri a Igreja da Garça que estava aberta. Finalmente! Ainda por cima estava lá a decorrer um ensaio de fados. Visitei os túmulos de Leonor de Meneses e Pedro Álvares Cabral. É uma Igreja muito bonita, sem qualquer enfeite. Apenas o altar com as ogivas, gótico puro. Lembrou-me a sobriedade da Igreja de Santa Clara. Fiquei também a saber que às 18:00h haveria uma “missa fadista”. Pensei assistir e, como faltava ainda cerca de hora e meia, pus-me a caminho do Doce Pecado. Nome curioso para um dia de visita a igrejas, não é?
Passei pela Igreja de Marvila que, como sempre, estava fechada. No entanto, a Igreja da Misericórdia, que a Ângela diz estar sempre fechada, curiosamente estava aberta. Aproveitei para entrar. À porta, a Ângela telefonou-me. Tão querida, tinha acabado de pensar nela.
No caminho recebi uma mensagem do Ricas. Pretendia fazer-me inveja: estava com a Ana no café do teleférico do Cabo Girão. Aquilo é mesmo lindo, mas consegui fazê-lo ficar também com inveja do meu dia. LOL! Falei com a Ana também. Tão bom ouvi-los!
Depois de lanchar voltei para a Igreja da Graça. Cheguei ainda cedo e vi chegar a nata de Santarém. Pessoas tão bem vestidas. Senti-me a destoar completamente, com as minhas botifarras, jeans rotas, T-shirt e mochila às costas. Mas tudo bem, ia ficar na mesma. A missa foi muito bonita. A guitarra portuguesa fica bem na missa, o espaço tinha uma acústica excelente e os cânticos transformados em fado eram fantásticos. A missa tinha a finalidade de comemorar os 75 anos do Académico.
Saí ainda com a cabeça na lua. Telefonei para casa e foi o Luís que atendeu. Tão bom ouvir a voz dele.
Foi mesmo um dia muito positivo, cheio de coisas boas.

29 julho 2006

Mas afinal o que vem a ser isto?

Pois é, resolvi criar este blog para que possamos ver aqui transcritas algumas das muitas peripécias que vivemos numa sala de aula.
Este grupo de professores, Ricas, Belita, Ana, Rita e Cláudia (aceitam-se inscrições) resolveu matar saudades revelando aqui, alguns dos acontecimentos mais marcantes da sua vida profissional.

Ricas - Professor de Informática numa escola da Região Autónoma da Madeira;
Ana - Professora de Biologia numa escola da Região Autónoma da Madeira;
Isabel - Professora de Filosofia numa escola da Lezíria;
Rita - Professora de Educação Física numa escola de Lisboa;
Cláudia - Professora de Matemática numa escola de Moura - Alentejo.